Publicado em 4 de outubro de 2026
- Bitcoin chegou perto de US$ 87 mil após os ETFs americanos captarem cerca de US$ 2,4 bilhões em uma única semana — o maior fluxo desde outubro de 2025.
- A Ethereum ativou o upgrade Fusaka (PeerDAS), mirando menos custo para validar nós e taxas menores nas Layer 2.
- Na Solana, o cliente Firedancer roda em ~57 validadores (~11,6% do stake) e segue sendo o teste mais importante de descentralização da rede.
- No Brasil, a DeCripto aumentou o cerco fiscal às exchanges; quem opera por corretora nacional precisa declarar com atenção redobrada.
- Outubro historicamente é mês forte para o Bitcoin, mas isso não garante nada: trate a temporada como contexto, não como promessa.
Se você acompanha o mercado há algum tempo, já percebeu que novidades cripto aparecem todo dia, mas nem toda notícia muda alguma coisa de verdade. Este resumo separa o ruído do sinal: são as nove movimentações que realmente afetaram preço, infraestrutura ou a sua vida como investidor brasileiro ao longo das últimas semanas de setembro e início de outubro de 2026. Sem hype vazio — com número, fonte e o motivo pelo qual cada uma importa.
1. Bitcoin perto de US$ 87 mil puxado pelos ETFs
O Bitcoin chegou a tocar a faixa de US$ 87 mil no começo de outubro, empurrado pela retomada dos fluxos institucionais. Os ETFs spot americanos captaram cerca de US$ 2,4 bilhões líquidos em uma única semana — o melhor desempenho semanal desde outubro de 2025, segundo dados compilados por rastreadores de fluxo. O ponto-chave aqui não é o número redondo, mas o fato de que os ETFs explicam hoje boa parte do movimento de curto prazo: quando o dólar esfria e os juros futuros recuam, o dinheiro institucional volta a entrar rápido demais para ser ignorado.
2. Terceiro trimestre fechou com alta de ~42,6%
Antes do rali de outubro, vale o contexto: o Bitcoin acumulou alta de 42,6% no terceiro trimestre de 2026, conforme levantamentos publicados pela imprensa financeira. Isso importa porque significa que boa parte do otimismo atual já está embutida no preço — quem entra agora não está comprando “no fundo”, está entrando depois de um trimestre inteiro de ganhos. Se você quer dimensionar direito esse risco antes de decidir qualquer aporte, o nosso guia Como Investir em Criptomoedas explica como montar posição sem transformar a volatilidade em prejuízo permanente.
3. Upgrade Fusaka deixou a Ethereum mais barata de rodar
A Ethereum ativou o hard fork Fusaka, o primeiro passo de um novo ritmo de duas grandes atualizações por ano. A estrela técnica é o PeerDAS, que corta o custo de distribuir dados entre nós e abre espaço para mais capacidade nos rollups (Layer 2). Na prática, o efeito esperado para quem usa a rede é gás mais baixo e transações mais rápidas nas L2, sem exigir hardware absurdo para rodar um nó completo. É o tipo de melhoria silenciosa que não rende manchete colorida, mas muda o custo real de operar na rede.
4. Solana e o teste de fogo do Firedancer
Na Solana, o grande assunto de 2026 é o Firedancer, o segundo cliente de validador da rede, desenvolvido pela Jump Crypto em C++ e totalmente independente do Agave. Até meados de agosto de 2026, ele já rodava em 57 dos ~698 validadores ativos, respondendo por cerca de 11,6% do total de SOL apostado. Por que se importar? Porque até agora quase toda a rede dependia de um único software. Ter um segundo cliente robusto em produção é o que transforma “rápida” em “resiliente” — se um dia o Agave travar, o Firedancer segura a rede de pé.
5. DeCripto: a Receita Federal apertou o cerco às exchanges
Talvez a novidade que mexe mais diretamente com o bolso de quem lê este blog. Com a entrada em vigor da DeCripto, as corretoras que operam no Brasil passaram a reportar operações de criptoativos ao Fisco seguindo o padrão internacional da OCDE (o chamado CARF). Resultado: a fiscalização sobre quem compra, vende e mantém cripto por exchange nacional ficou bem mais rigorosa a partir de 2026. Para o investidor comum, a mensagem é objetiva — declare tudo e guarde histórico. Quem ainda não organizou suas operações pode recorrer a um software que cruza extratos de corretora com a malha fina, como mostramos na nossa análise do Koinly para imposto de cripto.
6. Hyperliquid (HYPE) virou aposta favorita de analistas
Entre as altcoins, a Hyperliquid (HYPE) foi uma das que mais apareceram nas seleções de analistas para outubro. O token rondava a faixa de US$ 90, vindo de uma máxima histórica perto de US$ 98. O motor por trás disso é mecânico: o protocolo direciona a maior parte das taxas de negociação para recompra e queima de HYPE, criando pressão compradora constante. No início de outubro, o projeto recebeu seu maior pagamento de rendimento em USDC para recompras até então — e anunciou uma venda privada de 3,75 milhões de tokens, o que adiciona um alerta de diluição pra quem persegue o ativo.
7. RLUSD, a stablecoin da Ripple, passa de US$ 1 bilhão
A RLUSD, stablecoin atrelada ao dólar da Ripple, ultrapassou US$ 1 bilhão em valor de mercado dentro de pouco mais de um ano de lançamento, com volume de transações crescendo centenas por cento. Um detalhe que muita gente ignora: boa parte dos novos contratos institucionais da Ripple gira em torno da RLUSD, e não do XRP. Ou seja, a narrativa de “XRP vai explodir por causa dessas parcerias” é, na melhor das hipóteses, indireta. Vale separar quem paga a conta da parceria (stablecoin) de quem especula sobre o token.
8. Pesquisa: cripto supera ações e CDB entre brasileiros
Uma pesquisa repercutida pela Folha mostrou que as criptomoedas ganharam espaço e superaram ações e CDBs na preferência de parte dos investidores, enquanto 66,4% dos brasileiros afirmam conhecer criptoativos — alta de mais de dez pontos percentuais em relação a 2025. É um dado cultural tão importante quanto qualquer gráfico: mostra que cripto saiu do gueto dos entusiastas e entrou no radar do brasileiro médio. E quanto mais gente leiga entra, mais cresce a responsabilidade de filtrar informação ruim.
9. BTC defende dominância de ~60% e alimenta esperança de altseason
Por fim, o termômetro que muitos esperavam: o par ETH/BTC rompeu uma tendência de baixa enquanto a dominância do Bitcoin se segurava em torno de 60%. Historicamente, é nessa configuração que começa a conversa sobre “temporada de altcoins” — capital migrando do líder para ativos menores. Mas atenção à armadilha clássica: dominância caindo não significa que toda altcoin sobe; costuma significar que algumas poucas concentram o fluxo e o resto apanha junto.
Opinião de quem acompanha isso de perto
Repare num padrão que passou meio despercebido neste mês: as três mudanças mais duradouras — Fusaka, Firedancer e DeCripto — não têm nada a ver com preço. Duas delas são upgrades de infraestrutura que ninguém vê no app da corretora, e a terceira é burocracia pura. Ainda assim, elas vão impactar mais o seu patrimônio no longo prazo do que qualquer prévia otimista de analista sobre o próximo topo. Minha visão: numa semana cheia de “novidades cripto”, aprendi a dar mais peso a quem melhora a máquina e a quem aumenta a fiscalização do que a quem promete o próximo multiplicador. Fluxo de ETF vai e volta; um contrato inteligente mais barato e uma malha fina mais afiada ficam.
Próximo passo concreto
Se algo aqui chamou sua atenção, transforme em ação agora: abra seu extrato das últimas 90 dias na sua exchange e confira se você tem condições de declará-lo com a DeCripto em vigor — essa é a novidade que pode custar caro se for ignorada. Depois, se quiser entender onde encaixar cada ativo antes de seguir a manada do mês, comece pelo nosso guia completo de investimento em cripto. E para não perder o fio da meada, siga o resumo do mês anterior: as novidades cripto de outuro que abriram este ciclo.
🏆 Hyperliquid (HYPE)
Ideal para: Quem busca exposição a protocolos com fluxo de receita próprio
Modelo de recompra e queima financiado pelas taxas de negociação sustenta pressão compradora, mas exige atenção à venda privada de tokens.
🏆 Ripple RLUSD
Ideal para: Instituições e usuários que querem liquidação em dólar regulado
Ultrapassou US$ 1 bilhão em valor de mercado e é o veículo real das novas parcerias corporativas da Ripple.
🏆 Ethereum (ETH)
Ideal para: Exposição a infraestrutura pós-Fusaka
O PeerDAS reduz custos nas camadas 2 e reforça a tese de escalabilidade contínua da rede.

Foto: Alesia Kozik / Pexels
Hyperliquid (HYPE)
Faixa de preço: ~US$ 90 | Onde encontrar: Perps DEX / exchanges centralizadas
Máxima histórica recente perto de US$ 98, buyback record em USDC e destaque nas seleções de analistas de outubro.

Imagem: página oficial do produto
Bitcoin ETFs (IBIT e afins)
Faixa de preço: fluxo semanal ~US$ 2,4 bi | Onde encontrar: Bolsa americana (spot BTC ETF)
Maior semana de entradas desde outubro de 2025, reacendendo o fluxo institucional.

Imagem: página oficial do produto
Solana (SOL) + Firedancer
Faixa de preço: stake de ~11,6% no novo cliente | Onde encontrar: Rede Solana / exchanges
Expansão do segundo cliente de validador reforça narrativa de descentralização.
Perguntas frequentes
Qual era o preço do Bitcoin em outubro de 2026?
No início de outubro de 2026 o Bitcoin oscilou na casa de US$ 84 mil a US$ 87 mil, impulsionado por cerca de US$ 2,4 bilhões em entradas líquidas nos ETFs spot americanos em uma única semana.
O que mudou com a DeCripto para quem investe em cripto no Brasil?
Com a DeCripto, as exchanges nacionais passaram a reportar operações ao Fisco no padrão internacional da OCDE, aumentando a fiscalização. Para o investidor, a exigência prática é declarar todas as operações e manter histórico.
O que o upgrade Fusaka fez pela Ethereum?
O Fusaka introduziu o PeerDAS, que reduz o custo de compartilhar dados entre nós e amplia a capacidade das redes de camada 2, resultando em taxas menores e transações mais rápidas.
Por que o Firedancer é importante para a Solana?
É o segundo cliente de validador da rede, independente do Agave. Rodar um software alternativo em produção fortalece a descentralização e evita que um bug único derrube toda a blockchain.


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